Está bastante claro para mim que o paraíso religioso da juventude, agora perdido, era uma primeira tentativa para que eu pudesse me libertar do “meramente pessoal”, de uma existência dominada por vontades, expectativas e desejos primitivos. Lá fora está este mundo imenso, existindo independentemente de nós, seres humanos, enorme e eterno enigma, ao menos parcialmente acessível à nossa razão. Eu entendi que a contemplação desse mundo era uma nova forma de libertação. (…) A possibilidade de compreendermos esse mundo impessoal de modo racional tornou-se para mim, consciente ou inconscientemente, o objetivo supremo. (…) Talvez o caminho para esse paraíso não fosse tão confortável e seguro como o caminho para o paraíso religioso; mas ele provou ser confiável, e eu nunca me arrependi da minha escolha.
- Einstein. Notas autobiográficas.
